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‘(sic) feeling that i was born for the sex opposite of mine, i have always loved it and done all that i could to make myself loved by it.’ —giacomo casanova (1798)

por elas que estou desde dezembro do ano passado sem beber ou fumar (confesso que com um recaída efêmera em fevereiro); por elas que ainda faço terapia com uma psicóloga; por elas, que tomei, a contragosto, antidepressivo por dois meses neste ano, atendendo pedido de uma psiquiatra; por elas que atualmente não sou um eremita vivendo entre bugios e pumas
apesar deste esforço, que pode até parecer irrisório, efetivamente não consegui progredir na cura da minha timidez-amorosa. na última sexta de abril houve uma festa do meu curso. quando descobri que certa garota, pela qual estou interessado há algum tempo, tinha confirmado presença, comecei a preparar-me psicologicamente. cerca de um mês antes, tomei como objetivo conversar com ela e conhecê-la melhor. e isto que a ocasião seria uma festa open bar, aonde eu não beberia, portanto, sem a muleta da desinibição alcoólica. ainda assim, na semana da festa, não me sentia tão otimista há no mínimo, 2-3 anos
e por mais que meu pessimismo latente me alertasse sobre a possibilidade dela estar acompanhada, ou de me desprezar sem cerimônias, a realidade não poderia se mostrar mais favorável: além de estar livre, leve e linda, em determinado momento da festa nossas vistas se uniram por milissegundos. não querendo-me entregar a uma grandiose cega, o pessimismo supracitado logo tratou de considerar o fato como uma mera coincidência, ou que ela simplesmente queria ver algo além de mim; eu apenas estava atrapalhando seu campo de visão. durante este conflito interno que sempre me acomete, novamente trocamos olhares, e o melhor, consegui sustentar seu olhar. sequer me recordo a vez anterior a esta em que não fugi dos olhos de uma mulher
enfim a oportunidade se apresentava. eu necessitava, ao menos, me manifestar. mas a música estava ensurdecedora. teria que afastá-la da pista, e este novo desafio começou a minar meu montículo de autoestima recém-ajuntado. enquanto afogava-me na indecisão, ela partia, juntamente com minha esperança
entretanto, permaneci na festa, procurando recapitular os diálogos que havia mentalizado nas noites insones. cedi ao vício e bebi, tentando aplacar a ansiedade. mas tudo em vão, pois não consegui-me recompor. mais um ensejo desperdiçado, mais uma futura lamentação. a questão é: não esperava que ela desse uma abertura. pensava que me ignoraria solenemente, e que eu dirigir-me-ia a ela apenas para verificar se tinha a capacidade de conversar com uma garota que me havia agradado e que eu não conhecia. a expectativa é a origem da decepção
fui para casa, imerso no autoódio: a introdução de um fim de semana depressivo. se eu não consegui naquele momento — com a mente livre de entorpecentes — não mais conseguiria. para potencializar meu humor, no primeiro dia de maio fiz um ano do meu último beijo. já passei por períodos mais longos, mas nunca me acostumo com estas secas; o maior intervalo, um ano e meio entre 2010 e 11, quase me arrojou pela ponte de ferro
a diferença para 2013 é que compreendi que não posso suicidar. mesmo não tendo pedido para nascer, não me cabe a hora de minha morte; a existência apenas foi-me emprestada. e na mesma data do fatídico aniversário, numa subida do spitzkopf, conheci uma menina de 10 anos, amigável e simpática. conversei por tanto tempo com ela que perdi a noção das horas. me encantei com sua curiosidade e simplicidade, e surpreendi-me quando disse que denunciará a diretora de sua escola por abuso de poder. esta garotinha me relembrou da vontade de ter uma filha, e só poderei ter este privilégio se persistir neste planeta. há, no mínimo, um bilhão de belas mulheres. será que nenhuma delas tornar-se-á minha futura esposa e mãe de nosso casal? caso não, um retiro com jardim, fonte e biblioteca me espera…
hora de voltar para a toca, a agrupar confiança para a próxima chance. se houver
♪ vivos, nos resta viver ♫
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